segunda-feira, 21 de abril de 2014

TRABALHO DE FIM DE CURSO

Seguem aqui duas possibilidade de TEMAS de trabalho para Tópicos Especiais em Ética II.
Em ambos os casos, trata-se, não de responder ao que está sendo proposto como se fora uma questão de prova, mas sim de elaborar um texto dissertativo, com introdução, desenvolvimento, conclusão, notas de rodapé e bibliografia, de cerca de 10 páginas (no mínimo 6).

Data para entrega 27 de maio de 2014 impreterivelmente.

1) Considere este texto, extraído da Apologia de Raymond Sebond de Montaigne:

[A] “Eles se servem de sua razão para investigar e debater, mas não para deliberar e escolher... Quanto às ações da vida, eles agem da maneira comum. Eles se prestam e se acomodam às inclinações naturais, ao impulso e força das paixões, às constituições das leis e dos costumes e às tradições das artes. [C] Pois Deus quis que nós possuíssemos, não o conhecimento das coisas, mas o seu uso. (Cic. De Div. I, xviii) [A] Eles se deixam essas coisas guiarem suas ações, sem nenhuma opinação ou juízo. Isso faz com que eu não possa bem acomodar a esse discurso o que se diz de Pirro. Eles o pintam estúpido e imóvel, levando um curso de vida bizarro e insociável, esperando o choque das carroças, oferecendo-se aos precipícios, recusando-se a seguir as leis. Isso é tripudiar de sua disciplina. Ele não quis se fazer pedra nem tronco, mas homem vivo, raciocinante e discursante, fruindo de todos os prazeres e comodidades naturais, empregando e servindo-se de todas as suas faculdades corporais e espirituais [C] em regra e de direito. [A] Ele renunciou, de boa fé, os privilégios fantásticos, imaginários e falsos, que o homem se usurpou, de reger, ordenar e estabelecer a verdade...” (505)

Analise a imagem de cético aqui apresentada, procurando compará-la com as diferentes versões dessa filosofia a que tivemos acesso durante o curso, bem como examinando em que se poderia basear a interpretação de Montaigne. Seria essa intepretação adequadamente defensável dessa filosofia ou não, no seu entender?

2) No início do capítulo xiii do Livro I das Hipotiposes, Sexto informa que o cético argumenta opondo de diferentes maneiras fenômenos a noumenos ("coisas percebidas pelos sentidos" e "coisas pensadas"). Examine um ou mais dos dez tropos de Enesidemo (preferencialmente os tropos nono e décimo, pela sua relação com a temática ética). procurando explicar como essa oposição se daria nos exemplos oferecidos por Sexto Empírico. Além disso, considere o que esse(s) tropo(s) possui(em) de diverso com relação à versão correspondente ao mesmo no texto de Diógenes Laércio, e procure explicar claramente qual a razão pela qual o filósofo pirrônico deveria suspender o juízo segundo esse modo argumentativo. Por fim, desenvolva uma breve análise, em sentido pessoal, sobre a eventual persuasividade desse modo: você acha que o problema por ele colocado lhe parece intransponível (no sentido em que Sexto pretende colocar) ou você entende ser possível responder ao problema a partir de alguma filosofia específica? Desenvolva isso.


Outras possibilidades de tema podem ser consideradas mediante consulta e discussão com o professor.


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